Sobre ocupação de espaços urbanos, virtuais e ideológicos

Primeiro ataque a estrutura de sites que permitem o compartilhamento de informações e um projeto de lei estadunidense, o SOPA, que incide sobre o mundo, a partir da virtualidade.  O grupo Anonymous reagiu ao projeto de lei SOPA com a campanha Stop Sopa, e proveu ataque bloqueando diversos norte-americanos inclusive o site do FBI. No sábado, religiosos no Brasil novamente protestam contra a intolerância religiosa, dia 21 de janeiro data de falecimento de uma Mãe de Santo, denunciando principalmente a intolerância e o racismo institucionais.  No Domingo, a polícia de São Paulo invade brutalmente  a comunidade de Pinheirinho em São José dos Campos, que ocupava uma área e lutava pelo direito constitucional a moradia. O que mais dizer sobre a semana ?

Que é mais uma entre as outras passadas e que virão. O que acontece em Pinheirinho não é uma situação isolada. Com a desculpa da Copa a oligarquia do Brasil tem promovido inúmeras ações de despejo e de simples sumiços de pessoas que ocupam de forma visível o espaço urbano. A ação de barbárie em Pinheirinho é o ápice de inúmeras ações de despejo  no Rio de Janeiro e do desaparecimento de moradores de rua Brasil a fora. Revestidos de projeto de urbanização e salvaguarda do patrimônio histórico das cidades, essas ações são SEMPRE violentas ao desconsiderarem a condição humana e a autonomia de ir e vir de grupos inteiros que convivem no mesmo espaço social urbano. A Democracia é uma falácia oligárquica.

Não só nesse momento de “COPA” isso acontece, a ocupação é a forma histórica e possível de ter moradia em muitas cidades brasileiras, principalmente ao considerarmos que boa parta da população, isso hoje, não recebe mais que um salário mínimo (e aqui nem vou comentar o abusivo salário de políticos). E interessante perguntarmos quem ocupa? As Favelas nas cidades brasileiras são mais antigas que os novos e luxuoso bairros e condomínios fechados (como o de Pernambuco, que virou chacota nacional). A população ocupa e mora na cidade e a especulação imobiliária invade e ainda por cima ganha voz com a (in)justiça do aparato judiciário.  Falando em oligarquia, é interessante citarmos o intocável judiciário, e nesse sociedade (em que Hackers tem feito justiça) um sistema curioso de produção de leis e de execução destas. A lei é primeiramente produzida por uma série de indivíduos altamente capitalizados, ao menos o projetos delas. Depois elas passagem por uma série de correções e avaliações que conferem a constitucionalidade, essa avaliação é em última instancia conferida por pessoas que consideradas especialistas, também altamente capitalizados (para que não sofram com o suborno). Esses especialistas obtêm essa condição por terem ao longo de alguns anos se empenhado em desenvolver e aprender uma linguagem especifica (juridiquez) que poucos sabem (assim que as oligarquias mantém seu poder). É, então, a partir desse código lingüístico especifico que essas pessoas afirmam e julgam o que pode e o que não pode, o que é certo e o que é errado na sociedade perante o Estado. Costuma-se pensar que essas especialistas agiriam para o bem comum, ou seja, para todas as pessoas. Mas eles são também pessoas, e como tais têm seus próprios interesses, ideologias e pertencimentos, respondendo a esses.

Assim é possível nos perguntarmos quando uma lei como a SOPA é proposta os interesses de quem estão sendo colocados em jogo? Para quem é interessante a limitação do compartilhamento de grande informações pela internet? Quem ganha impedindo que as pessoas possam ter acesso a filmes, músicas, livros ou mesmo informações pessoas – ninguém pensou em lei para impedir que as redes sociais armazenem nossas informações e as vendam. A Pirataria historicamente é uma forma de conseguir recurso para sobrevivência, a pirataria virtual é também isso. A pirataria virtual é como a ocupação, há no mundo virtual uma série de proprietários que dominam parte do sistema por ter conhecimento técnico e, digamos, dinheiro para construir, há pessoas que ocupam os espaços que ainda não tem proprietários, e que tentam assegurar esse espaço para a construção e divulgação de qualquer informação, caso contrário ficaremos só com a informação que o proprietário permitir temos.

No mundo virtual circulam uma série de outras propriedades, como músicas, filmes, livros de pessoas que produziram a partir de suas vivencias e que foram compradas por corporações que viram nessas coisas a possibilidade de lucrar.  A partir de uma estrutura sites que permitem o compartilhamento de informações digitais mais pesadas essas propriedades (musicas, filmes, livros…) estão sendo compartilhadas com todos. O que não agrada as grandes corporações, mas que não acabe incidindo em quase nada para as pessoas que criam.

Os especialistas agem também conforme o que consideram certo e conforme sua ideologia quando permitem uma lei que agride outras ideologias e formas de ver o mundo. Quando tratam todos com igualdade perante lei, mas com desigualdade perante os seus olhos. Quando decidem sobre o corpo de alguém sem respeitar a idéia de corpo e a forma de seus corpo. É o que acontece quando juízes emitem opinião sobre o aborto, sobre a união homoafetiva, sobre se alguém sofreu de racismo ou não. Ou mesmo se o soar dos tambores é um incomodo. Mas não são só esses especialistas. Há outros tipos de especialistas no Estado.

Há uns que não são muito capitalizados, mas que tem o poder do fogo. Esses funcionam como cachorros de guarda, quando os proprietários (e nesse caso o Estado é um) mandam morder, eles mordem !! Sem critério nenhum ? É claro que tem critério, o critério é atingir o mais fraco, o negro, o pobre . Assim que a polícia mantém desde a escravidão a ação de colocar o pe na porta dos terreiros. Assim que eles mantém a memória da ditadura linchando, torturando, sumindo com pessoas que lutam pelos seus direitos.

Matam meu pai

21 de setembro de 2009

in memoriam meu pai (1965 – 2006)

Acabo de ler as informações e notas de solidariedade, uma em relação ao assassinato do sem-terra Elton, este fato me faz lembrar de outras assassinatos, mas principalmente das constante ações de violência e repressão dos Estados com o movimento social, com cada um a cada dia de trabalho das instituições publicas. Faz lembrar também dos sonhos e utopias (ao meu ver produtivas e necessárias) que a cada momento são pisoteadas pela violência institucional e inoperância do dito poder publico. Mas principalmente me faz lembrar a história de outro homem, meu pai, que morreu de forma violenta, antes mesmo de seu coração parar de bater.

Meu pai jovem em uma época paradoxal, em que conviviam as ideais de liberdade e profunda repressão, ainda muito cedo aos 20 poucos anos teve uma filha e foi coibido a casar. Por essa razão também cedo começou a trabalhar, seguindo seu pai, tornou-se bancário no Banco Meridional, com mais dois irmãos. Era uma pessoa muito competente,  autodidata em tudo que lhe interessava , um apaixonado pelo saber. Ele então envolvido pela causa começou a militar no sindicato dos bancários, envolvendo-se com pessoas que lhe faziam crer que outro mundo realmente era possível. Porém as dificuldades na construção desse novo mundo começaram, repressão forte, marcas no corpo pela ação policial, brigas internas, uns passando a  perna nos outros, mas ele mantinha a convicção de que com seus “amigos” busca algo melhor para todos. Muitas vezes penso nele como a velhinha de Taubaté. Os anos 90 chegaram, seus “amigos” assumiram cargos políticos e a luta sindical virou campanha eleitoral. Meu pai ainda participava das campanhas por acreditar naquela luta de “companheiros”.  Então chegou o século XXI, com seus companheiros distantes, com a ruína de algo que ele acreditou e ajudou a construir, o Partido dos Trabalhadores, meu pai agora permanecia forte em sua luta, pois ainda terno com os companheiros, porém seu brilho seu brilho se transformava em lagrimas de decepção e sua paixão era desestabilizada por uma humanidade que só sabe “fazer morrer”.

Assim meu pai a cada dia morria,  a cada noticia sobre o mundo, a cada reflexão sobre o que não foi construído, a cada companheiro falecido, perdido, sumido ou consumido por outros objetivos. E foi assim a tal ponto de não acreditar mais na possibilidade um outro mundo possível (ou de acreditar, não sei) e então agarrar-se na morte.

Digo que mataram meu pai, assim como matam a utopia ou esperança de cada um em todo momento que vemos o descompromisso, o descaso não só de governantes,  mas do funcionários públicos que mantém instituições violentas, das pessoas em suas casas que então entregues ao “o que se a de fazer?!”, ao esquecimento de que todos fazemos parte do mesmo que ao invés do coletivo caminha para uma auto-predação. Mataram meu pai, mas não minha utopia que permanece a partir de sua memória.

Boas

Considerando a “escola evolucionista”, em antropologia, argumenta-se sinteticamente que a cultura humana avança em estágios sucessivos e ascendentes de evolução, a partir de relações causais no desenvolvimento humano. Assim, o estudo da cultura humana consistiria em comparar aspectos de sociedades distintas indicando o status evolucionário, a sobrevivência de aspectos “rudimentares” (que daria origem aos estudos de folclore), e corroborando com a premissa da evolução a partir da causalidade e unilinearidade do processo de desenvolvimento da cultura. Contudo, esse mesmo método leva a mais de um caminho, segundo Boas, “enquanto, anteriormente, identidades ou similaridades culturais eram consideradas provas incontroversas de conexão histórica ou mesmo de origem comum, a nova escola se recusa a considerá-las como tal, interpretando-as como resultado do funcionamento uniforme da mente humana” (BOAS:2005:25).

Ao método comparativo e à antiga escola evolucionista dirigem-se as criticas de Boas. Partindo da avaliação dos argumentos evolucionistas em “As limitações do método comparativo da antropologia”, Boas argumenta que as analises anteriormente empreendidas são refutáveis, pois não cumprem o principio cientifico da verificação. As generalizações de leis universais a partir de fenômenos etnológicos desenvolvidos independentemente em vários lugares do mundo é insustentável “caso desenvolvimentos históricos diferentes pudessem conduzir aos mesmos resultados” (BOAS:2005:29), argumenta o autor. Logo, conforme citado por Stocking, “embora causas semelhantes tenham efeitos semelhantes, efeitos semelhantes não têm [necessariamente] causas semelhantes”. (STOCKING:1999:16).  É, portanto, a partir da refutação do principio de causalidade, empregado na compreensão do desenvolvimento da cultura, que Boas formula o que seria o problema da antropologia: refletir como a mesma natureza humana responde/soluciona de formas diferentes, ou ainda semelhantes, à questões/problemas semelhantes.

Boas afirma que os conceitos não existem da mesma forma em toda parte, eles variam, e por isso não há uma só cultura humana, mas culturas, no plural. Para o autor essa variação não se dá simplesmente por ações externas, ou seja, por influência do ambiente em que se inserem, nem mesmo somente por ações internas “fundadas por condições psicológicas” (BOAS:2005:27). Mas se expressa na coordenação de ambas às influências (interna e externa) na formulação de leis e regras do grupo. As formas de vida devem ser, portanto, compreendidas a partir de sua origem, “como elas se tornaram o que são”, dadas pelo seu presente histórico, e pela dinâmica das sociedades existentes, buscando o conhecimento de “processos vivos” (BOAS:2005:104).

Partindo da critica ao evolucionismo, Boas propõe o método histórico (ou particularismo histórico) consiste no estudo detalhado de costumes de um grupo em conexão com a investigação da distribuição geográfica de tribos vizinhas. E, a partir disso, na verificação da origem das práticas de determinado grupo, levando em conta o seu processo histórico específico. Esta formulação parte da idéia de que o “contexto” não está inteiramente ligado à idéia de “causa”, a um determinismo causal, mas que através dos “eventos históricos somos compelidos a considerar cada fenômeno, não apenas como efeito, mas também como causa” (BOAS:2005:46).

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Os nacirema e os Atsigoloce

Um dos pais fundadores de nossa disciplina, James Frazer, afirmava que a antropologia social trata-se de um dos ramos da sociologia que objetiva “um departamento particular daquele imenso campo de conhecimento” (FRAZER:2005:106), o que corresponderia ao estudo da “origem, ou melhor, das fases rudimentares, à infância e à meninice da sociedade humana”. Partindo desta orientação teórica, irei realizar o exercício de analise que se segue.

Apesar de o evolucionismo possuir uma unidade construída posteriormente ao trabalho de seus principais autores  – ou  seja, de escopo analítico permeado por disputas em relação a diversos pontos – pensarei essa escola como um todo, a partir de suas premissas e conceitos fundamentais.

Para este exercício, analisarei dados de um grupo que não podemos considerar “primitivo”, embora seja possível encontrar aspectos das “fases rudimentares” como nos orienta Frazer. Este grupo tem uma economia de mercado altamente desenvolvida, contudo em suas dinâmicas e rituais cotidianos pode-se perceber a sobrevivência[1] de aspectos da barbárie em seu processo evolutivo. Anteriormente pesquisado pelos professores Linton e Miner, respectivamente, os Nacirema vivem no norte da America num território fronteiriço ao dos Cree[2] no Canadá, e dos Yanqui e Tarahumare no México.

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Canções Geográficas: Pocket Show da Apóstrofes!

GEOGRAFIA E MÚSICA: ENCONTROS POSSÍVEIS. É o nome da atividade artística/cultural que encerra o 4º SEMINÁRIO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA/POSGEA-UFRGS “OUTRA(S) GEOGRAFIA(S): O ESPAÇO EM SUA MULTIPLICIDADE”.

Lucas Panitz fará uma palestra contextualizadora das pesquisas sobre geografia e música no Brasil e no mundo. Após, a banda Apóstrofes (formada por Lucas Panitz, Marcelo Sikinowski, Pedro Desconzi e Tiago Fischer) fará um pocket show acústico e desplugado, mostrando algumas canções próprias de forte narrativa geográfica. A intenção é trazer ao público a reflexão das relações entre interpretações científicas e artísticas sobre o espaço – um encontro não só possível, como inevitável.

Local:

Anfiteatro do Centro de Estudos de Geologia Costeira (UFRGS)

Avenida Bento Gonçalves, 9500, Prédio 43125. Campus do Vale

Porto Alegre (Porto Alegre, Rio Grande do Sul)

I Encontro Infanto-juveniel de Capoeira Angola

A Escola de Capoeira Angola Africanamente convida tod@s a prestigiarem neste domingo a Roda Infato-juvenil de capoeira Angola. Este evento pretende ser o marco importante de estímulos de trocas entre nossos erês.
Dede já agradecemos a todos que fizeram este encontro possível, a nossa rede de parceiros que providenciaram o alimento dentre os corres necessários, os professores e diretores que apoiaram a idéia e principalmente os jovens e crianças que nos motivam.

Programação
10h – Roda de erê de Capoeira Angora
12h – Troca de erê: compartilhando o alimento

O grupo Demorou! e Zero Odonto, estão fazendo educação em saúde bucal com os jovens e crianças, bem como atendimento odontológico.

Estão tod@s convidados para essa grande festa, levem frutas e venha compartilhar conosco.

Africanamente – Escola de Capoeira Angola

IV – Pablo Neruda

En los bosques, perdido, corté una rama oscura
y a los labios, sediento, levanté su susurro:
era tal vez la voz de la lluvia llorando,
una campana rota o un corazón cortado.

Algo que desde tan lejos me parecía
oculto gravemente, cubierto por la tierra,
un grito ensordecido por inmensos otoños,
por la entreabierta y húmeda tiniebla de las hojas.

Pero allí, despertando de los sueños del bosque,
la rama de avellano cantó bajo mi boca
y su errabundo olor trepó por mi criterio

como si me buscaran de pronto las raíces
que abandoné, la tierra perdida con mi infancia,
y me detuve herido por el aroma errante.

palavras pesam…

cansei de carrega-las
todas caidas no chão nada parecem senão pedras
sentidos frios, estáticos

todas pelo caminho
as palavras enchem
e com sua dereza acumulam, estorvam

deixarei as pesadas palavras
não quero mais senti-las