Considerando a “escola evolucionista”, em antropologia, argumenta-se sinteticamente que a cultura humana avança em estágios sucessivos e ascendentes de evolução, a partir de relações causais no desenvolvimento humano. Assim, o estudo da cultura humana consistiria em comparar aspectos de sociedades distintas indicando o status evolucionário, a sobrevivência de aspectos “rudimentares” (que daria origem aos estudos de folclore), e corroborando com a premissa da evolução a partir da causalidade e unilinearidade do processo de desenvolvimento da cultura. Contudo, esse mesmo método leva a mais de um caminho, segundo Boas, “enquanto, anteriormente, identidades ou similaridades culturais eram consideradas provas incontroversas de conexão histórica ou mesmo de origem comum, a nova escola se recusa a considerá-las como tal, interpretando-as como resultado do funcionamento uniforme da mente humana” (BOAS:2005:25).
Ao método comparativo e à antiga escola evolucionista dirigem-se as criticas de Boas. Partindo da avaliação dos argumentos evolucionistas em “As limitações do método comparativo da antropologia”, Boas argumenta que as analises anteriormente empreendidas são refutáveis, pois não cumprem o principio cientifico da verificação. As generalizações de leis universais a partir de fenômenos etnológicos desenvolvidos independentemente em vários lugares do mundo é insustentável “caso desenvolvimentos históricos diferentes pudessem conduzir aos mesmos resultados” (BOAS:2005:29), argumenta o autor. Logo, conforme citado por Stocking, “embora causas semelhantes tenham efeitos semelhantes, efeitos semelhantes não têm [necessariamente] causas semelhantes”. (STOCKING:1999:16). É, portanto, a partir da refutação do principio de causalidade, empregado na compreensão do desenvolvimento da cultura, que Boas formula o que seria o problema da antropologia: refletir como a mesma natureza humana responde/soluciona de formas diferentes, ou ainda semelhantes, à questões/problemas semelhantes.
Boas afirma que os conceitos não existem da mesma forma em toda parte, eles variam, e por isso não há uma só cultura humana, mas culturas, no plural. Para o autor essa variação não se dá simplesmente por ações externas, ou seja, por influência do ambiente em que se inserem, nem mesmo somente por ações internas “fundadas por condições psicológicas” (BOAS:2005:27). Mas se expressa na coordenação de ambas às influências (interna e externa) na formulação de leis e regras do grupo. As formas de vida devem ser, portanto, compreendidas a partir de sua origem, “como elas se tornaram o que são”, dadas pelo seu presente histórico, e pela dinâmica das sociedades existentes, buscando o conhecimento de “processos vivos” (BOAS:2005:104).
Partindo da critica ao evolucionismo, Boas propõe o método histórico (ou particularismo histórico) consiste no estudo detalhado de costumes de um grupo em conexão com a investigação da distribuição geográfica de tribos vizinhas. E, a partir disso, na verificação da origem das práticas de determinado grupo, levando em conta o seu processo histórico específico. Esta formulação parte da idéia de que o “contexto” não está inteiramente ligado à idéia de “causa”, a um determinismo causal, mas que através dos “eventos históricos somos compelidos a considerar cada fenômeno, não apenas como efeito, mas também como causa” (BOAS:2005:46).
Elaborada a idéia da existência de cultura(s) enquanto dinâmica de integração de “elementos”, acumulados em processos históricos, e “conjuntos” numa forma cultural particular, Boas dedica-se ao estudo das construções mitológicas. Para o autor a mitologia e o folclore estavam fundados em “acontecimentos que refletem as ocorrências da vida humana, particularmente aquelas que despertam as emoções humanas” (STOCKING:1999:21).
é muita geografia!
é sim, Boas teve formação inicial dele muito influênciada pela geografia…é o que digo geografia cultural é antropologia heheh
E fica a questão, afinal para que servem essas divisões disciplinares ? São disciplinamentos pouco epistemologicos.